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Sustentabilidade - uma questão projetual PDF Imprimir E-mail
Editorial - Opinião
Sex, 25 de Novembro de 2011 09:12
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Sustentabilidade em nosso campo – arquitetura e Urbanismo – é antes de tudo uma questão projetual: O modo como se trata o tema nas diversas fases de projeto – concepção, desenvolvimento, executivo, detalhamento, construção e ocupação.

Para isto, primeiramente analisamos o processo histórico compreendido principalmente na arquitetura moderna brasileira das seis últimas décadas e meia para então concluir o seu resultado atual. O tema que cada vez mais toma força frente à sociedade em geral, tem entre os arquitetos valor agregado às demais questões projetuais, entremeado entre teoria e prática, por aceitar o desafio de confrontar distintas linguagens formais com novas tecnologias. Para tanto, espera-se compreensão exata das premissas de projeto, do existente, do que existiu e do que venha a existir.

Tratada a questão como ensaio de projeto, há de se definir a metodologia a ser corretamente utilizada para que a arquitetura venha então a ser enriquecida. Não tratando o processo do tema sustentabilidade como mais uma parte e sim como resultado unido ao todo, ou seja, a própria arquitetura, final.

“Entende-se como desenvolvimento sustentável, aquele capaz de atender às necessidades das atuais gerações sem comprometer os direitos das futuras gerações”. Marcelo J. Meiriño.

 

A demanda crescente explica a necessidade do tema dentro das grandes cidades frente a uma tipologia que atinge picos cada vez maiores nos centros urbanos. Isso acontece de forma discrepante frente à realidade urbanística atual. A tipologia de grandes empreendimentos corporativos e Skylines deveriam atuar como exemplo de práticas arquitetônicas e urbanísticas uma vez que hoje a mesma possui grande influência no desenho urbano e na qualidade ambiental de nossas cidades.

Analisando de forma contextual nota-se no começo dos anos 80 uma época de mudança de pensamento. Após dez anos da grande crise do petróleo - que gerou uma busca maior por sistemas passivos e um aproveitamento maior do clima para os edifícios – o tema começa a ser aplicado diretamente em projetos mundialmente conhecidos. Também no inicio da década de 80 surgem os primeiros casos de “edifício doente” e os projetos começam a ser analisados com uma perspectiva maior com relação à questão de conforto ambiental. Na década de 90 eventos importantes como a Eco 92 e a aparição do conceito de edifício verde, como exemplo da época tem se o Pavilhão Britânico da Expo 92 de autoria de Nicolas Grimshaw. Atualmente o tema é bastante divulgado na mídia em geral, mas ainda pouco aplicado no Brasil em grandes projetos. Contudo questões sustentáveis são encontradas em diversos projetos. Quando Jean Nouvel define o Instituto do Mundo Árabe em Paris

Instituto do Mundo Árabe em Paris

como uma caixa de luz decorada com desenhos que expressão a cultura do objeto, o arquiteto afirma imediatamente duas questões sustentáveis; a primeira e básica é a de proteção solar e controle de iluminação; a segunda é relação cultural que a obra atinge de modo fantástico; a evocação de um projeto contemporâneo, que expressa isto em suas fachadas, com a individualidade cultural é totalmente exposta. Da mesma forma acontece em São Paulo com o Centro de Cultura Judaica, de Roberto Loeb.

Centro de Cultura Judaica, de Roberto Loeb.

A reinterpretação de um objeto inerente à cultura judaica gera um resultado arquitetônico de alto desempenho formal e conceitual, agregando valores culturais ao corpo do edifício. Os brises em vidro controlam a iluminação excessiva e grandes vazios e vazados pelo edifício garantem e ventilação natural ao conjunto.

Projetos sustentáveis são uma corrente fundamental ao modo de viver da sociedade atual. Somente através de uma compreensão histórica é que se pode discorrer sobre a aplicação do mesmo na arquitetura contemporânea.

Algumas premissas para o tema tais como a busca por uma arquitetura simples e de alta eficiência e qualidade; a correta implantação que respeita a ventilação local e maximiza a iluminação natural reduzindo gastos energéticos; a redução do impacto ambiental de empreendimentos que mal implantados e dimensionados geram acúmulo de tráfego de veículos e pedestres; a valorização e criação de espaços públicos agregados às edificações; a permeabilidade do projeto, tanto visual quanto em circulações acessíveis a todos; a forma ampla que acomoda situações diferentes por que oferece continuamente novas oportunidades para novos usos é uma ambientação sustentável.

Todos estes acontecimentos resultam no que hoje aplicamos como arquitetura contemporânea. Ressalvasse a importância de uma metodologia que alcance uma forma de coesão do tema com a questão projetual aceitando princípios sustentáveis como fundamentais ao corpo da arquitetura atual. Isto revela questões diferenciadas ao edifício e seu entorno. Modificações formais, novas cargas conceituais e teóricas, novas premissas de projeto, etc.; Como tudo isto acontece e se firma frente a uma sociedade que muitas vezes não espera e não compreende esta necessidade torna-se questão primordial do arquiteto.

Arquiteto André Prevedello

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Última atualização em Seg, 28 de Novembro de 2011 15:35
 

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