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Iluminação arquitetural: iluminando paredes PDF Imprimir E-mail
Colunas - Iluminação
Sab, 28 de Maio de 2011 13:58
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Considerada um das melhores práticas em técnica de iluminação contemporâneo, a iluminação de paredes, pode produzir significativos benefícios. Este artigo descreve algumas técnicas de iluminação em paredes.

- Iluminação geral

A iluminção pode ser colocada proxima as bordas do ambiente afim de iluminar a parte superior das paredes e minimizar o efeito “caverna”(1) no ambiente. Outra opção é um tipo de volume rebaixado de iluminação que se destina a distribuir a luz em na parte superior das paredes. E uma terceira opção é montar uma luminária pendente com iluminação indireta (ver Figura 1), que lança luz ao teto e paredes, com destaque visual ao teto como o plano mais brilhante do espaço. Mesmo sendo suficiente para alguns ambietes, pode ser necessário empregar outras técicas de iluminação complementares.

 

Figura1

- Wall washing

Uma técnica comum de iluminação é “lavar” a parede com luz, e isso consiste na colocação de luminárias de teto a 60/90 cm da parede que lançam fachos abertos, o que resulta uma lavagem de luz suave de cima para baixo. Por causa da grande angulação, pequenas imperfeições na superfície, são minimizadas, tornando a parede visualmente plana. Para grandes planos de paredes, fontes de iluminação linear, tais como lâmpadas fluorescentes, são eficazes.

Num pé direito de até 2,80 metros com as fontes luminosas instaladas a cerca de 60 cm da parede, o plano mais alto da parede recebe 80% da luz, enquanto que do meio para baixo recebe 50%, e na área perto ao chão recebe 20%. A superfície do piso é geralmente mais oculta, já que as pessoas normalmente visam o plano superior. (2)

- Grazing

Outra técnica de iluminação básica, o wall grazing consiste na colocação de luminárias mais perto da parede, resultando fachos de luz em um ângulo fechados, o que produz sombras que revelam a textura da parede. Ao mover o acessório mais perto ou mais longe da parede, o ângulo da luz pode ser ajustado para fazer sombra mais ou menos acentuada e, assim, obter diferentes efeitos grazing. Fontes lineares podem ser usadas, mas fontes pontuais são geralmente preferidas para um grazing mais acentuado. Diodos emissores de luz (LEDs) tem um grande potencial como recurso de um efeito grazing eficiente.

Por justamente o efeito grazing revelar a textura e ser visualmente atraente, ele deve ser usada em superfícies que valem a pena destacar e que não contenham imperfeições que se deseje esconder. No caso o efeito wall grazing, a iluminação revela a forma espacial como pano de fundo luminoso para as pessoas e objetos - a parede em si é o centro das atenções. Como resultado, o grazing é normalmente usado como iluminação de destaque para valorizar superfícies altamente texturizadas.

- Grazing wash

O grazing wash combina algumas vantagens do wall washing às do wall grazing (ver Figura 2). Esta técnica consiste na montagem de fontes luminosas lineares em uma “cortina” de luz contínua ao longo da borda do teto (parede / sanca de iluminação). A fonte luminosa é alojada na sanca, e a luz brilha na extremidade do teto articulando esse plano, resultando num efeito visual de “ teto flutuante”. A quantidade de luz é somente o suficiente para tornar interessante os detalhes arquitetônicos, o grazing wash é geralmente utilizado de maneira semelhante ao wall washing – ou seja, para revelar os limites dominantes do espaço e produzir inter-reflexões.

 

Os seres humanos respondem à influência da luz, fisiologicamente e psicologicamente. Para entender os benefícios da iluminação em parede, devemos começar com a premissa básica que o brilho chama a atenção. O olho humano é naturalmente atraídos para áreas de brilho e luminosidade contrastes no campo de visão. O contraste é ainda mais importante que o brilho, motivo pelo qual os lighting designers consideram a sombra uma ferramenta muito importante na concepção de um projeto luminotécnico.

Esta premissa básica é enraizado na nossa compreensão científica de fototropismo - a tendência dos seres humanos, animais e plantas em buscar a luz. As pessoas vão orientar-se em direção a reflexão direta das fontes de alto brilho ou de brilho de fortes contrastes, desde que as fontes não sejam desconfortáveis.

Na década de 1970, o Dr. John Flynn realizou experiências em pessoas sobre extimulos em diferentes condições de iluminação. Num desses experimentos, os participantes entravam numa lanchonete e era observado para onde eles direcionavam o olhar. Depois, a iluminação de um parede era adicionada, os participantes seguintes entravam no ambiente e mudaram sua orientação de olhar, mostrando uma preferência em se direcionar às paredes iluminadas.

Em outro estudo de Taylor e Sucov em 1974, voluntários entraram num quarto com duas saídas através de portas com cortinas, neste ambiente haviam instruções dizendo-lhes para ir para o outro recinto e completar uma tarefa, como parte de um estudo de produtos de consumo. Desconhecendo a verdadeira intenção do estudo, eles poderiam entrar neste outro recinto pela porta da esquerda ou da direita. Quando as duas portas foram iluminadas igualmente, sete dos 10 participantes foram para a direita. Quando o caminho para a esquerda recebeu um maior nível de luz, três em cada quatro foi para a esquerda. Luz não só chama atenção, como pode ajudar na orientação espacial e direcionar ações.

Dado este conhecimento, e num caso simples de se fazer que é a focagem de luz nas paredes, esta proporciona vantagens: Ela destaca a forma espacial, proporcionando um cenário lúminico agradável para as pessoas, objetos e atividades no ambiente, que é importante para o trabalho, os espaços - evitando o sombrio "efeito caverna" devido a algumas instalações de iluminação direta. E isso coloca uma ênfase visual em superfícies/planos verticais, em vez de superfícies/planos horizontais, resultando em uma ênfase sobre as pessoas e a arquitetura, que é importante para espaços de uso públicos.

Demonstrado que as pessoas são fisicamente atraídas para o brilho e que o brilho pode ser usado para direcionar a atenção, é verdade também que as pessoas respondem psicologicamente a padrões de brilho em um espaço .

Isso nos traz de volta a investigação de Flynn que pode também ser usada para prever como as pessoas vão responder a regimes diferentes de iluminação com base na (sobrecarga) horizontal versus vertical (perímetro) a ênfase uniforme, versus distribuição não uniforme, ambientes claros versus dimerização de níveis de luz, e visualmente quente versus tons frios de temperatura de cor (veja a Figura 2 para uma ilustração desses efeitos)

Figura2

Fig. 2: As investigações de Flynn indicaram que as pessoas formam impressões subjetivas dos ambientes construídos independentemente do contexto arquitetônico, classificando-os em termos de ênfase central ou no perímetro total. Aqui oito “cenas” num ambiente hipotético, desenvolvido com base nos estudos de Flynn. Podem-se ver que a quantidade de configurações de diferentes iluminações produz diferentes aparências do espaço com diferentes resultando.

Em uma experiência simples, as pessoas foram expostas a diferentes espaços iluminados e pediu-se para definirem suas impressões em uma escala entre o "agradável" versus "desagradável", "espaçoso" versus "confinado", "relaxado" versus "tenso", e "visualmente clean" versus "soturno".

Flynn descobriu que o brilho nas paredes tende a produzir impressões de espaços como sendo "agradável", e que elas gostam de luz nas paredes. Ele também descobriu que a iluminação na parede pode contribuir para as impressões de um espaço ser "público", "aberto", "tenso", "aberto para negócios" ou "comercial" e "visualmente clean", especialmente quando a distribuição da luz é uniforme.

Além de dirigir a atenção e influenciar o julgamento estético de um espaço, a iluminação da parede também pode contribuir para a clareza visual e conforto, para a leitura do ambiente.

Há vários benefícios ao se aplicar iluminação na parede: ela produz inter-reflexões que podem aumentar os níveis de luminosidade, uniformidade e visibilidade, reduzindo sombras e fortes contrastes, transformando esta superfície numa grande fonte de iluminação da área; aumenta a uniformidade e reforça as impressões de agilidade e clareza visual do espaço, melhorando o reconhecimento facial, que pode auxiliar na comunicação face a face e reduzir a fadiga visual causada pela adaptação transitória (o olho que sofre constante adaptação de níveis de luz gera desconforto e cansaço); reduz sombras e fortes contrastes, aumentando, assim, o conforto visual. Um bom exemplo seria um espaço com janelas onde pode haver um forte contraste de intensidade luminosa entre as janelas e os espaços adjacentes da parede, o que gera incômodo. Colocando luz sobre essas paredes suaviza o contraste, propriciando conforto visual.

Quando as paredes são usadas como fontes de luz de área, é importante que as superfícies da parede seja o mais reflexiva possível sem ser brilhante. Evite cores escuras nas paredes. Escolha acabamento fosco e evite acabamentos brilhantes, que são fortes candidatos para o brilho refletido. Esta técnica de reflectância superior em tetos e paredes, sobretudo em espaços onde as superfícies são usadas como fontes de luz ou área superfícies reflectoras para a iluminação podem fazer uma grande diferença em termos de eficiência global, reduz a iluminação elétrica necessária para produzir os desejados níveis de luz.

Erm resumo, a iluminação da parede pode ajudar a tornar os projetos de iluminação energeticamente eficiente, colocando ênfase visual ma forma espacial, tornando os espaços mais luminoso e mais confortável e melhorando a visibilidade e o visual. São conceitos a serem aplicados em iluminação residencial, iluminação comercial, iluminação de hall e diversas outras.

1. Efeito caverna é quando o fundo da sala fica escuro comparado as outras superfícies. Isto faz com que as pessoas fechem as cortinas e liguem as luzes para cortar o contraste na sala. O que deve ser evitado.

2. Numa outra oportunidade analisaremos iluminação de piso (plano inferior), importantes, sobretudo para a faixa etária de crianças e idosos, assim como para portadores de limitação de locomoção.

Última atualização em Sab, 28 de Maio de 2011 17:02
 

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