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Iluminação e arquitetura: Conforto luminoso PDF Imprimir E-mail
Colunas - Iluminação
Dom, 27 de Marco de 2011 12:27
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O que todos nós queremos - arquitetos, lighting designers, engenheiros, empresas fornecedoras e, principalmente, o usuário final - é que nossos espaços tenham o melhor conforto luminoso, a melhor qualidade e o menor custo possível. Esta intenção depende de muitas variáveis e para entendê-las começaremos por discutir o que é conforto luminoso.

O enfoque fisiológico do usuário na definição de conforto:

Um determinado espaço provido de luz natural e/ou artificial produz estímulos ambientais, ou seja, um certo resultado em termos de quantidade e qualidade de luz, sua distribuição, contrastes, etc. O mesmo raciocínio serve para as outras áreas do conforto ambiental (1). Para a área de acústica, teremos um certo nível de barulho/ruído de fundo medido pelo seu nível de intensidade sonora em dB(A), as freqüências desse ruído, sua distribuição, propagação, etc. Para a área de conforto térmico, teremos a temperatura do ar, a umidade relativa, a ventilação no ambiente, uma certa quantidade de insolação etc.

Todos esses estímulos ambientais são físicos, objetivos e quantificáveis. O usuário sentirá todas estas variáveis por meio de seus sentidos – visual, auditivo e termo-metabólico – e à elas responderá num primeiro momento, através de sensações.

Quanto menor for o esforço de adaptação do indivíduo, maior será sua sensação de conforto.

Figura 1

E o que seria “esforço de adaptação”? Os órgãos humanos da visão são constituídos de uma serie de componentes orgânicos, cada qual com sua função específica, entre os quais o olho, a retina, o nervo óptico, o quiasma visual e o trato ótico. A sensação visual varia muito do dia para a noite, alterando a nossa acuidade, ou seja, o grau de definição das imagens. O olho humano precisa de um período de adaptação de aproximadamente 60 minutos, para que a visão diurna passe a trabalhar com toda eficiência em níveis de escuridão total. Porém, uma adaptação de 70% acontece nos primeiros 90 segundos.

Para desenvolvermos determinadas atividades, nosso olho necessita de condições específicas e que dependem muito das atividades que o usuário realiza. Por exemplo: para ler e escrever, é necessária uma certa quantidade de luz no plano de trabalho (2); para desenhar ou desenvolver atividades de maior acuidade visual (atividades mais “finas” e com maior quantidade de detalhes), necessita-se de mais luz (3). Mas quantidade de luz não é o único requisito necessário. Para essas atividades, a boa distribuição de luz no ambiente e a ausência de contrastes excessivos (como a incidência direta do sol no plano de trabalho e reflexos indesejáveis) também são fatores essenciais.

O conhecimento dessas características e limitações do olho humano é de extrema importância para se projetar espaços que possuam condições de iluminação não muito diferentes umas das outras, de modo a evitar que os olhos tenham de se adaptar continuamente a estes diferentes níveis de iluminação. Tomando-se estes cuidados, evita-se que o usuário sofra de cansaço visual ou até mesmo inabilidade para executar tarefas visuais durante o período de adaptação.

O significado psico-emocional do usuário para conforto:

Mas será que, para desenvolvermos uma determinada atividade, conforto pode e deve ser equacionado somente por uma “vertente fisiológica” de maior ou menor esforço? Não. Hopkinson diz: “Aquilo que vemos depende não somente da qualidade física da luz ou da cor presente, mas também do estado de nossos olhos na hora da visão e da quantidade de experiência visual da qual temos de lançar mão para nos ajudar em nosso julgamento...Aquilo que vemos depende não só da imagem que é focada na retina, mas da mente que a interpreta” (4) . Ou seja, não é possível fazer distinção entre experiência sensorial e emocional, uma vez que a segunda certamente depende da primeira e ambas são elos inseparáveis. Qualquer fato visual terá sua repercussão, depois de interpretado, no significado psico-emocional que o homem lhe dá.

Esta resposta sensorial do indivíduo ao seu meio ambiente tem, portanto, um componente subjetivo importante. No processo de atribuir significado a um determinado estímulo ambiental, o homem lança mão de uma série de fatores: sua experiência pessoal, sua personalidade, aspectos culturais, a relação de gênero e idade, entre outros.

Este caráter subjetivo da definição de conforto, seja ele luminoso, térmico ou acústico, é muito importante e, em algumas situações de projeto, vital. Se pedirmos para 100 pessoas definirem o que entendem por conforto, 99 o definirão com uma palavra subjetiva. Dirão: é uma sensação de bem estar, é sentir-se bem num ambiente, é não se sentir incomodado, é estar em harmonia com o espaço, é um ambiente aconchegante, agradável etc. Mas, se perguntarmos para estas mesmas pessoas se elas estão se sentindo bem ou não em um determinado espaço, sob determinadas condições ambientais, a totalidade delas faz automaticamente uma relação direta com os estímulos físicos. Dirão “sim” ou “não” dependendo se a temperatura está alta ou baixa, se tem muito ou pouco barulho, muita ou pouca luz, se está abafado ou bem ventilado etc. As duas sub-áreas do conforto ambiental que têm maior grau de subjetividade são a ILUMINAÇÃO e a acústica.

Conforto é, portanto, a interpretação de estímulos objetivos, físicos e facilmente quantificáveis, por meio de respostas fisiológicas (sensações) e de emoções, com caráter subjetivo, de difícil avaliação e muito particulares.

Figura 2

1. O conforto ambiental é uma área de formação técnica definida pelo MEC na estrutura curricular profissional de arquitetos e urbanistas. É composta de quatro sub-áreas: conforto térmico, iluminação (natural e artificial), acústica e ergonomia.

2. A norma 5413, da ABNT, estipula como mínimo 300 lux e máximo 750 lux.

3. A mesma norma estipula 1.000 lux para desenho, por exemplo.

4. HOPKINSON, R.G. & KAY, L.D. The light of building, ed. Faber and Faber Ltd, London, 1969.

Última atualização em Dom, 27 de Marco de 2011 15:40
 

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