Arquitetura

edmar3_thumb2

Interiores

Design de Interiores

Paisagismo

Paisagismo

Festas

festas

Produtos

Capturar

ASSINE

Digite seu email aqui:

Delivered by FeedBurner

Arquitetura e sua relação com a luz de capricórnio. PDF Imprimir E-mail
Colunas - Iluminação
Ter, 08 de Fevereiro de 2011 19:25
Share on LinkedIn

Somos fótons destinados a nos perdermos na imensidão do espaço, na esperança de encontramos uma partícula de matéria e darmos uma pequena contribuição para o esplendor do universo.

A luz na arquitetura é um tema vasto. A luz está em todos os lugares e é ela que traz a beleza do mundo aos nossos olhos e é pelos olhos que apreendemos os caminhos no mundo.

Luz, que para os gregos era phaós, mas que também podia ser flama, luz do dia, vir a luz, nascer, vivente, e que pouco se diferenciava da sombra, phaiós (sombrio, cinza, escuro, luto). As palavras do visível se espalha na vida à treva, da vida à morte, e chegam aos olhos:ta phaea. Luz é origem do brilho, do nascer, do claro, sereno, puro, alegre, origem ainda do fazer brilhar, tornar radioso, aparecer, mostra e mostrar-se, guiar, explicar, dos fenômenos, do dar a ver, esclarecer; é a origem dos oráculos, dos videntes e dos adivinhos. No dizer de Aristótelis, “é porque a vista (óphis) é o sentido mais desenvolvido, a palavra imaginação (phantásia) tira seu nome da luz (pháos), porque sem luz (photós) é impossível que seja visto (esti ideín).

Pela luz chega a nós o calor do sol, o brilho da lua, a história do universo. As sombras nos revelam o espectro da luz, os buracos negros, as imperfeições dos planetas além da Lua, o tamanho da Terra e as horas do dia. Luz que se fez no primeiro ato da criação. Foi filha do sol que se tornou deus para muitos povos e foi origem do saber e da vida. Luz está na raiz da optikê grega e se torna perspectiva latina, ou ainda na raiz da dióptrica de Descartes e que Galileu chamou de perspicillum. A luz que foi lux, foi lúmen, foi claritas e esplendor e com Kepler se tornou a luz que conhecemos, a física que se propaga e que se auto-engendra.

O conceito de luz que temos hoje surgiu no século XIII. Remonta à figura de Robert Grosseteste, que se destaca dentre os franciscanos de Oxford. A partir daí os conceitos de luz na atualidade ganham sentido e ela passa a ser uma das matérias-primas mais recorrentes da arquitetura.

A luz de que se trata aqui é a do céu do paralelo de Capricórnio que banha o centro sócio cultural do Brasil. É o privilegiado paralelo onde o sol fica a pino e temos no Zênite ou no Nadir o centro da nossa galáxia. O céu de Capricórnio é generoso em luz e abundante em calor.

As reflexões da luz são vastas. Luz se confunde com o espaço, dando-lhe visibilidade e com ele se integra. A partir do século XIII a luz passa a ser pesquisada como entidade física e não apenas metafísica. Com a perspectiva de Brunelleschi no século seguinte, o espaço começa a tornar-se manipulável. A perspectiva deu atributos ao espaço e à luz, mas a integração do lúmen e do lux só ocorre no século XVI com a óptica de Kepler e a câmera obscura, a melhor forma de a luz se tornar espaço.(1)

A estreita ligação da luz com o espaço justifica a importância da iluminação na arquitetura.

Jorge Luis Borges, em um de seus contos, postulou a existência de um ponto, flutuando no sótão de uma casa argentina, de onde era possível avistar todo o Universo, sua história passada e futura, a totalidade do espaço e do tempo, concentrados no volume de uma gota.(2)

Aleph significa a ligação do céu com a terra. É a primeira letra do alfabeto hebraico. Em matemática Aleph-Zero representa o menor dos infinitos. A ficção de Borges torna-se realidade. Existe efetivamente um ponto de onde se capta toda a luz do universo. Quem um dia chegar a este ponto, para onde convergem todas as luzes dos gigantes estelares, poderá ter essa visão. Do arquiteto não se espera que projete sótãos onde caibam Alephs, mas apenas uma janela para que o sol possa iluminar nossas vidas e uma clarabóia por onde a luz da lua venha acender nossos sonhos.

1. KATINSKI, Julio Roberto. Renascença: estudos periféricos. São Paulo. FAU USP,2002.

2. GLEISER,Marcelo. A dança do universo. São Paulo, Cia Das Letras, 1998.

Última atualização em Ter, 08 de Fevereiro de 2011 22:09
 

Rede Cultura Brasil/Portugal

Cadastre aqui seu site/blog na rede Cultura!