| Arquitetura e sua relação com o tempo. |
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| Colunas - Iluminação | |||
| Sex, 26 de Novembro de 2010 12:16 | |||
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Quanto tempo dura o Espaço? O corpo em movimento é a perfeita duração do Espaço. A arquitetura alimenta e alimenta-se de corpos em movimento. Violenta e é violentada pelos corpos que se movimentam no espaço. A arquitetura faz-se de espaço. O espaço é misterioso. Não se sabe se existe espaço se o espaço não for vivido. Não se sabe se o espaço sobrevive ao esvaziamento de sentido. O movimento é o sentido mais alto do espaço. O corpo em movimento eleva o espaço ao seu expoente. Torna-o vibrante, enche-o. O movimento revela o tempo. O espaço só tem tempo no movimento dos corpos. Dura apenas nos momentos em que nos movemos. É a ocupação temporária dos centímetros ao lado. A ordem é não esperamos pelo golpe que o espaço vai desferir. O espaço é o que resulta da relação entre o corpo e o vazio. É o ar comprimido pelo corpo contra as paredes frias. O corpo não interrompe o vazio porque o vazio é o nada. Um quarto escuro, vazio e trancado não é um espaço, é nada. O corpo não interrompe o nada, mas dissolve o vazio. É nessa dissolução que surge a arquitetura. A arquitetura é o vazio dissolvido pelo movimento. O corpo não interrompe o tempo, porque o corpo é a sua extensão natural quando se move. O corpo move-se pelo espaço de acordo com o ritmo que o espaço inflige à pele e aos ossos. Em cada gesto, uma percepção diferente do espaço. O espaço constrói-se assim, aos pedaços e pelo sentimento. Não há nenhum Corpo completo. Faltam sempre algo, ou seja pedaços, ou seja movimentos! O espaço é sempre incompleto. Como o corpo. É na procura do que falta que o espaço se movimenta. O corpo é 1 lugar e 1 tempo e depois 1 outro lugar e 1 outro tempo que não recordam o lugar e o tempo anteriores. Existem demasiados movimentos a exigir a existência para podermos parar. O tempo não pára. Tempo inicial Qual é o modo mais comum de elaborarmos a situação inicial de projetos arquitetônicos? ele costuma se desenvolver a partir da formulação do chamado ‘programa de necessidades’. Os programas são hipóteses extraídas de instantes de ‘tempo congelados’. E esse ‘tempo congelado’ no qual o programa se fundamenta é uma abstração. Projetos se tornam obsoletos antes mesmo de sua conclusão (e cada vez mais rapidamente). Não só demandas de equipamentos e dimensões mudam, mas sobretudo as articulações coletivas, as atividades, seus modos de organização e os significados a elas associados. Quando o projeto termina, ele foi ultrapassado pelas circunstâncias às quais deveria servir. Quase todos os arquitetos atuantes já tenham sentido isso, talvez até em coisas simples como reformas domésticas: os humores mudam, as relações entre as pessoas mudam, nascem uns, morrem outros e, em meio a esse caos da vida, o projeto feito para este ‘tempo congelado’ está sempre em colisão com a medida dos usos e das apropriações efetivas. Se isso é um problema comum, inevitável – e até certo ponto óbvio – parece estranho que os arquitetos continuem operando do modo acima descrito, especialmente num contexto histórico de ‘mutações’ cada vez mais rápidas e de recursos cada vez mais escassos. Poderíamos imaginar que este problema seja superado com a noção da flexibilidade. No entanto, flexibilidade é um termo viciado, que faz referência a uma concepção totalmente infrutífera para o problema a que me refiro. ‘Flexível’ nos remete à substituição de alvenaria por divisórias leves, a estruturas moduladas, a panos de vidro, mobiliário padronizados, andares corridos e espaços desérticos. A chamada flexibilidade muitas vezes não passa de um transtorno, pois as possibilidades de mutações ser reduzem a deslocamentos de poucos elementos, que exigem intervenção profissional e raras vezes afetam circulações, articulações ou expressões dos espaços. Pensando nisso, talvez fosse pertinente experimentarmos projetos com possibilidades de ‘múltiplas mutações’ ao longo do tempo; ou seja, espaços em cuja concepção se tenta incluir mudanças constantes de configurações imprevistas e projetos que sejam capazes de acumular, ao longo do tempo, certos registros dos seus vários estados. Prefiro o termo mutabilidade ao termo flexibilidade, porque algo em mutação tem sempre estados determinados, definidos. O ser mutante não é amorfo: ele salta de uma forma e para outra. Tempo final No projeto do arquiteto Enric Miralles para a reforma de 1984 da Escola La Llauna em Barcelona vemos uma solução simples e que atende de forma tradicional a uma série de demandas — espaços modulados, corredores centrais e salas iluminadas por aberturas convencionais. Tais limitações não significam, entretanto, uma banalização da solução arquitetônica. Em contraposição à rigidez do desenho dos espaços de permanência no edifício, Miralles propõe uma nova forma de articulação de percursos, transformando as escadas em elementos focais do projeto. A solução proposta consiste basicamente em uma reinterpretação da idéia da promenade corbusiana, especialmente se tomarmos como referência seu projeto para a Villa Savoye. O que na casa eram dois modos de se descortinar o espaço — uma escada helicoidal e uma rampa — fundem-se aqui em um só corpo, híbrido. Este novo elemento irá então determinar uma justaposição de ‘dois tempos distintos de movimento’. No início, a lentidão da rampa; logo em seguida, a aceleração do percurso pela transformação desta em uma escada. Através da sobreposição de diferentes tempos e diferentes acontecimentos ao longo do percurso, Miralles irá conceber a circulação como um espaço de exacerbação de conflitos e tensões entre o que é novo e o existente. As escadas-rampas, agrupadas, adquirem um caráter escultórico no interior do prédio. A única grande abertura incorporada à antiga fachada — um pano de vidro inclinado, no último pavimento — proporciona uma incidência de luz diferenciada sobre as escadas-rampas, destacando-as ainda mais no espaço e gerando uma dramatização do percurso desde seu início.
Assim, todo o desenvolvimento da idéia de promenade se faz a partir de uma rearticulação criativa e bastante simples de um repertório comum de elementos de circulação, não sendo necessária qualquer utilização mirabolante de materiais caros ou estruturas e detalhes complexos. O que sobressai aqui como relevante é uma proposta de reinvenção do percurso; uma justaposição de tempos de movimento e de diferentes acontecimentos no espaço que gera uma real complexidade de eventos e que acaba por subverter uma possível banalização da arquitetura. Termos como ‘movimento’ , ‘corpo’ ‘tempo’, talvez pudessem se refletir nos modos de organização: não por representações vagas e de leitura improvável, mas pela dinâmica real neles implicada. Movimentos, em arquitetura, talvez não sejam mais os formatos curvos ou fragmentados, mas elementos realmente móveis. O corpo talvez não se represente mais pelas suas proporções ou pelo delineamento de suas partes, mas pela relação sensível com os objetos e pelo fato de perecer. E até porque vivemos muito mais num tempo do que num espaço. Imagens fonte: http://www.cpinos.com/
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| Última atualização em Dom, 28 de Novembro de 2010 10:52 |









